segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

processo


Mas eu não falo.
Eu fico entregue, só pensando
Daí parece que estou elaborando. Mas não: eu estou fluindo, me acabando em coisas, pessoas, chocolates, vinhos, ruas, beijos, soltando a pipa de tudo que faço na vida.
Tudo de uma vez só, puro delírio.   Aqui sou eu em plena anarquia.
Também parece que estou dançando. A liberdade é tanta que viro foto. Viro legenda. Viro texto. Fantasia. Como se eu andasse nua e ninguém visse. Só lesse.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

In

Me ame por enquanto
Me beije por enquanto
Ilusório
Infinitamente provisório
Ofegante e repetitivo
Outra vez, mais outra
Não sei quantas
Mas por enquanto mais vezes
Hoje e daqui a pouco
esfuziante e louco 
desejo ou sorte
ou
qualquer coisa de morte

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

espólio

 O amor

Ainda e há meses

doendo às vezes


Sobre panos onde se come
Lençóis onde se dorme

As travessas brancas
As peças tantas
Lãs e mantas



fotografias
desses dias.













domingo, 26 de setembro de 2010

Rúcula

Oras, brócolis

chega de chicória

só sua rúcula

me acelga

a boca


couve-me

agora

escarolas

ou te como
crua

- folha a folha -

sua..

...alcachofra!





Valéria Tarelho












sábado, 25 de setembro de 2010

espiã

Comia com os olhos
admirava detalhes
Os olhares imorais e reles
que brotavam aguinha na pele
grudavam coxas e dedos
e fazia, fazia, fazia
e subia, variava, ora lua, ora estrelas : como gostava de vê-las!



Neusa Doretto

sábado, 18 de setembro de 2010

Dela


A abandonada
Um dia abandona
E do nada
Vira dona
De si

Nega os medos
(e se entrega aos dedos
escorrendo
líquida
E certa
por
ela
aberta)__________________________________________________Neusa Doretto

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Imprópria

Não me deseje
Porque vivo
de fantasias
Tenho até uma ilusão que é parente e já meio doente
De amar pra sempre__________




Neusa Doretto

sábado, 4 de setembro de 2010

paisagem

Uma que deixa pra lá
Confia no tempo pra curar o coração

Outra que deseja e sonha
Com a coragem dos abatidos

Há mais aquela que brinca de passa-anel
Querendo acertar o dedo
E pegar na mão pra sempre

Entre tantas
Ei-la que tira a roupa
e arranca a folha
do  caderno espiral


Depos embrulha o coração numa carta de amor

















Neusa Doretto

4set2010

sábado, 28 de agosto de 2010

24 horas com e sem você

















Histórias do Amor Piegas


Esse roteiro precisa de um nome doméstico, crônicas domésticas, trágicas, cômicas, textos que envolvam canecas, cartas, lençóis e gavetas. Objetos do dia a dia, comuns às pessoas, como pasta de dente e chuveiro ligado.
Textos que tragam a dor de cotovelo ou qualquer outra dor à domicílio; não é necessário o adorno para a dor, "pedestal" para a dor,está entendendo? Porque quando eu estou sofrendo, eu “não sofro com essa ausência que afoga a minha alma”, eu sofro com o cheiro do seu maldito condicionador espalhado pelo apartamento, ou coisa assim.
Digamos que eu escreva um roteiro com cinco ou seis contos que causem o riso, o pranto, dor de estômago e alegria. Posso escrever um que dê fome e tesão também, sem problemas. Uma lauda de 24 horas. Histórias com direito a essas 24 horas. Mesmo porque é o tempo que nos une.



(Neusa Doretto)

sábado, 21 de agosto de 2010

Anotação

Quando estou sob minhas paredes
O contorno do mundo é de uma paciência infinita com as coisas.
Como elas me aturam. Como me sirvo delas, meu Deus.
Como são mansas e prestativas. Iguais e fiéis.
Acho que existe um anjo da guarda de todas as coisas. Impossível que não.
As coisas são tão inocentes.

(Não sei o que seria de alguém sem um grande amor. E sem suas coisas )


Neusa Doretto

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Na mesma direção













A paixão atravessa qualquer sinal.
E nós gostamos dessa velocidade. Curamos os tombos.
E voltamos a montar como se nada tivesse acontecido.
Chamamos isso de amor.



Neusa Doretto

terça-feira, 27 de julho de 2010

Direções



















Porque se perseguem ainda
deixam pedrinhas para marcar o caminho de volta
Assim como nos contos infantis
Apenas adultas e mais sutis.



Neusa Doretto

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Valente














Gosto do amor que abre e sabe

Que incendeia

Do amor valente (bem mais que a gente)

De asas flechas e flores

Sexo quartos e corredores

Amor que repete amo amo amo

(e sendo pouco)

é pra sempre sempre sempre

Gosto do assalto

Mãos ao alto

me dê seu coração

dá ou morre

sim ou não?



Neusa Doretto

imagem NBernardo

Prato feito













A vida é devoração      Vamos comer     Vamos comer tudo    Bem devagar    Amar   Mastigar  
Vamos comer       Morder  os palitos da solidão  e    arrotar o tempo perdido       Vamos  viver
Devorar  a felicidade que  é farta      Experimentar com mordidas macias as coxas dos dias     A vida é devoração          Vamos comer         Temos garfos e estrelas.

abandonada

















A
Abandonada
Um dia
abandona
e
do
nada
vira Dona-Patroa
e
Que doa!!

sábado, 15 de maio de 2010

Saudades




















Dos corpos misturados na vontade
de existir indefinidamente
pelo próprio tempo do sentimento
pela duração do olhar
pelo tom de voz
infinitamente tu
infinitamente nós


Neusa Doretto

quinta-feira, 13 de maio de 2010

crimes delicados
















Para uma vidinha crocante
safada o bastante
tenha
sua massa mexida
no ponto
e
por dentro
um sentimento

mas
sem tamanho algum
para comê-los todos
um
a
um


Neusa Doretto
(outubro/santa cruz de cabrália2009)

sábado, 8 de maio de 2010















Por favor
Um amor sem palavras
Mudo
Que ouça a  respiração
e
que seja do começo do mundo

Neusa Doretto

sábado, 20 de fevereiro de 2010

noite



















toda vez que eu ficar sozinha
vou me dar colo e ouvidos


e cantar
 para a velha mulher  dormir



neusa doretto

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Dona

     



















 A     abandonada
Um dia  abandona
            e do nada
             torna-se  dona
De si




Neusa Doretto

sábado, 16 de janeiro de 2010

Opa


Hoje li várias  coisas com  "cara de pensando". Cara de pensando é quando você pensa tudo que está a fim de falar. Mas não fala. E só fica pensando. Daí parece que você está elaborando. Mas não: você está pensando tudo, tudo de uma vez só, sem muita ordem,pensando,sem roupa alguma. Também parece que você está dançando. Mas não está. Mas está de boa, à vontade. A liberdade é tanta que que você vira foto. Vira legenda.Vira texto. Fantasia. Como se andasse nua e ninguém visse. E você lá,pensando tudo na cara das pessoas. Sem palavra alguma. Porque a palavra, essa é quase o tato,quase o beijo. Quase tapa,também. A palavra é física. Opa,nem tanto. Digamos que a palavra é como pena, cócegas.Nem sempre é conveniente. Ih, dá um trabalho,hein? Bom mesmo é ler um texto divertido e incoerente . Louco,desvairado,endividado, cheio de comida e bebida. Aí,sim,é uma delicia tudo isso junto. Um texto louco, desvairado,endividado é tudo o que você pensa mas não escreve. Só pensa. Bem à vontade, sem censura. Que bom escrever assim. Um texto lubrificado , gostoso , tomando banho de óleo,   de ervas,de raios solares,oh,meu Deus,que saudade do meu sol e do meu uísque. O que será que faço com  isso? Ah quer saber? Mudo a cena. Por enquanto não vai dar. Ainda bem que você é meu amor e seu cabelo é perfumado. E sua pele é macia .E você é o meu tipo. E não preciso de mais nada .


Neusa Doretto