quarta-feira, 9 de novembro de 2011

FAZ PARTE




















Ando lendo.
Leio para encher a  cabeça de sonhos e histórias felizes. Cada um compensa de um jeito.
 E se leio compulsivamente, tenho absoluta certeza que meu conto pessoal está triste. 
Uns compensam o sofrimento, comendo, outros, bebendo, e há os que falam sem parar. 
Como se cada palavra que falasse fosse uma fatia a menos da dor. Então falam mesmo, estão fatiando a dor. 
E eu leio.
Escrevo a dor como quem extrai um furúnculo. Pronto,  está fora de mim.
Mas dói por dentro. 
A felicidade  varia. Dia tem. Dia não tem.Volta e meia é interrompida por algo ou por alguém. 
Faca de dois gumes: afago ou pontapé.  Num ” maldito instante" você desce ao fim do mundo. 
Com todos os sofrimentos cravando as unhas no seu coração. 
Sintomas do desencanto. 
Mas num súbito instante, sente dois braços vigorosos carregando seu serzinho, que assustado , é salvo pela esperança. Pronto : vida nova e flutuante, novos saltos, novos pousos.
Outros tombos também . Mas daí você já é outra.

5 comentários:

Marcelo R. Rezende disse...

Muita verdade. Mas eu compenso, além de ler e escrever, comendo. Meu fraco.

Beijo. Amei aqui.

NDORETTO disse...

"levanto, sacudO a poesia e dou a prosa por cima"___________Valéria Tarelho

MIRZE disse...

Maravilha!

Ah poeta! Você sempre me surpreende!

Beijos

Mirze

valéria tarelho disse...

verdade, Doretto, valéria tarelho disse no Facebook e faltou comentar aqui :)

complementando, gostei do texto em duas vozes: você o inicia em primeira pessoa e, num passe certeiro, está em terceira. deu um certo distanciamento ao tecer a dor do outro que, pela leitura inicial, é tão particular.

beijo!

NDORETTO disse...

É isto mesmo. Sacaste tudo!
:/.....rs......beijo,comadre