segunda-feira, 30 de abril de 2012

Outras



Hoje estou impedida de sair. Completamente impedida de sair de casa ou de sair de mim.  A vida aqui dentro está muito boa . Estou me sentindo completamente dona da criação ou de qualquer movimento ao meu redor: o  vasto mundo  apresenta   a chuva fina, sinfonia e harmonia. 

Hoje  o mundo convencional não precisa de mim e nem eu preciso  de seus serviços.A zona   de conforto está aqui. Hoje sou  dentro,sou outras:   ser claro e desejante, fortificado.  
Ordinariamente feliz, nem caminhada  faço porque a enxurrada pode me me levar. Essa eu posso evitar. A da alma,não.  

Divirto-me quando o mundo fica impedido e eu fico livre;promovo orgias e delírios, declamo Neusas e Carlos, Nerudas  e Baudelaire: " Embriagai-vos de vinho ou de virtude, contanto que  vos embriagueis ". Eu me embriago  com a mais próxima, com a mais chegada, com aquela que me basta. Eu me embriago com essas outras. Com garrafas de romantismo, com  o efeito, sem a droga. 


Mas daí vem o Gonzaguinha  e sussurra aos meu ouvidos: viver e não ter a vergonha de ser feliz. Mas eu que nunca tive, estou despudorada.
  


Comei!


A Careca tinha a receita
do prato predileto
depois da bruschetta
o spaghetti direto
o calor e manjericão

Pelo muro e pelo buraco
passa o  prato 
spaghetti ao pesto
apreço
para
a amiga
mãe e  irmão

A bruschetta   mata a fome
E o spaghetti
O olho come

para Mônica Kikuti

sábado, 10 de março de 2012

Noturno




Meus dedos tocam essas teclas mas queriam tocar seus poros e salivação.   
Os meus braços vão e vem nesse movimento  da escrita que age como desejo que escorre no som consecutivo do teclado ( parecido com gotas pingando) .  
Preciso ouvir alguma coisa mais forte que   me ordene como todas as mulheres foram ordenadas a amar sem reservas e sem limites. Porque eu  desaprendi.  A solidão me fez dona de uma liberdade voraz, que me engole e me deixa faminta .  
Outras vezes a mesma liberdade vem louca e feliz tocando uma musica  que eu danço para mim. Eu preciso da sua ousadia me dizendo coisas indecentes . Eu preciso estalar um chicote e sentir que é agora.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A isensata

Uma
Outra
paixão lesa
E
descabela
Pesa 
sobre
aquela mulher
que
sequer sabe o que é amor
Chorando
noites seguidas
Despedidas
que os  braços deram
Porque eram amores
intensos
soluços
em  lenços.


Neusa Doretto


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Crime Passional


Amarraram o amor numa tábua
E mataram à paulada a noite estrelada
E a felicidade morria sem dizer nada.
Depois
ainda rasgaram todo o corpo do sonho.
Foi um crime.
Um crime medonho.