sexta-feira, 30 de abril de 2021
Blackout
sexta-feira, 25 de setembro de 2020
Benefícios do Isolamento
A princípio, foi um horror geral, a pane, o medo de por o pé na rua e dar de cara com alguém espirrando no seu rosto, ruim de eu pegar esse troço, ficar sem ar, não saio de casa pra nada.
Tudo delivery e pasmem: no meu modesto bairro, há a incrível facilidade desses serviços, que maravilha, tudo em casa.
Certamente devo ter sido a moradora mais paramentada, máscaras descartáveis, luvas descartáveis, touca para a cabeça , pro-pés e protetor de olhos: óculos de peão de obra, mesmo. Essa coisa não me pega.
Um mês, dois meses, amigas on line, tudo virtual, contato humano nem fodendo. Claro, muito menos fodendo. A casa entorpecida de álcool.
O vírus bem que podia morrer com éter e a gente entrava num barato de lança perfume.
Três meses, quatro meses. Cara, você não sai, não gasta. Não consome , não compra.
Pela primeira vez no meu histórico bancário, o cartão de crédito está me devendo 60 reais.
Uma Operadora me presenteou com 6 meses de mensalidade, o que pagou 2 continhas chués e ainda sobrou.
sábado, 28 de setembro de 2019
Sobre todos os momentos que são entre eu e você, possibilitando a terceira pessoa do plural.
Nós. Que andamos sozinhas quando estamos sós, que pedimos comida para um.
E ficamos imensas numa mesa de restaurante, que ocupamos as cadeiras com as bolsas, revistas , casaquinho, jaqueta.
E pomos o celular sobre a mesa, num gesto mecânico de não enxergar o vazio ao nosso redor. Incomoda ?
Nem tanto. Mas existe de forma descomunal.
Porque todas as pessoas comuns têm alguém do lado.
A lateralidade é coisa de futuro, lado a lado.
Hoje é de frente. Uma mulher olhando para a outra. E vamos derreter de carência e sensibilidade porque a vida está tumultuada.
Acho que vamos abraçar a solidão que vai ficar sem graça perto da gente. Vamos encher a cara dela de vermouth.
E a nossa de esplendor , sem gelo.
quinta-feira, 12 de setembro de 2019
YOUNG
Você já notou?
Como a saudade que não nos conduz a
Nenhuma epifania.
Saudade deveria sempre render um verso
Perfeito, visto que para nada serve.
Acordamos cansados por
Senti-la,
Se é que dormimos.
Ela nos rouba o presente,
Nos cega o futuro.
Estou assim agora: presa
Ao passado quando
Estive com você.
FERNANDA YOUNG