sábado, 5 de outubro de 2013

" Avenida Anchieta "




Eu me abrigava na rede . Sentia tanta proteção,ali,enrolada naquele tecido forte e xadrez. 
Não havia frio,nem calor. Havia aconchego,esconderijo. Dias em que eu fugia do mundo. 
Noites em que eu acreditava no amor. 

O amor me salvaria,sustentaria e traria a felicidade para mim. 
E a rede entendia o meu coração.Indo e vindo. 
O balanço  me jogava aos braços de Beatriz e  Jacques Brel. 

Não me deixes mais. O Remy Martin e  o Pacco Rabane impregnavam,delicadamente os pontos do nosso tecido.
Não precisava de mais nada naquela casa. Os meus sonhos ocupavam todos os cômodos,esplendidamente vazios. Minha rede,meu reino forte. Meu  amor até a morte.




Neusa Doretto

3 comentários:

Fabio Renato Villela disse...

"Ne me quitte pas...". Nem poderia, pois eis que tu escreveu um poema que não se deixa. Absolutamente perfeito. Muito obrigado pela emoção que tu me deu. Bjs.

flavia disse...

sensual. bjs

Bau disse...

Sensibilidade e agudez. Me sinto embalando. Bj