sábado, 21 de agosto de 2010

Anotação

Quando estou sob minhas paredes
O contorno do mundo é de uma paciência infinita com as coisas.
Como elas me aturam. Como me sirvo delas, meu Deus.
Como são mansas e prestativas. Iguais e fiéis.
Acho que existe um anjo da guarda de todas as coisas. Impossível que não.
As coisas são tão inocentes.

(Não sei o que seria de alguém sem um grande amor. E sem suas coisas )


Neusa Doretto

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Na mesma direção













A paixão atravessa qualquer sinal.
E nós gostamos dessa velocidade. Curamos os tombos.
E voltamos a montar como se nada tivesse acontecido.
Chamamos isso de amor.



Neusa Doretto

terça-feira, 27 de julho de 2010

Direções



















Porque se perseguem ainda
deixam pedrinhas para marcar o caminho de volta
Assim como nos contos infantis
Apenas adultas e mais sutis.



Neusa Doretto

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Valente














Gosto do amor que abre e sabe

Que incendeia

Do amor valente (bem mais que a gente)

De asas flechas e flores

Sexo quartos e corredores

Amor que repete amo amo amo

(e sendo pouco)

é pra sempre sempre sempre

Gosto do assalto

Mãos ao alto

me dê seu coração

dá ou morre

sim ou não?



Neusa Doretto

imagem NBernardo

Prato feito













A vida é devoração      Vamos comer     Vamos comer tudo    Bem devagar    Amar   Mastigar  
Vamos comer       Morder  os palitos da solidão  e    arrotar o tempo perdido       Vamos  viver
Devorar  a felicidade que  é farta      Experimentar com mordidas macias as coxas dos dias     A vida é devoração          Vamos comer         Temos garfos e estrelas.